"Toda grande produção musical começou exatamente como a sua: com uma primeira ideia."
Respire fundo.
Abra sua DAW.
Conecte seu controlador.
Coloque seus fones de ouvido ou ligue suas caixas de som.
Ajuste sua cadeira.
Relaxe as mãos.
E prepare-se.
Nas próximas páginas, o conhecimento deixará de existir apenas na sua mente.
Ele passará pelos seus dedos.
Chegou a hora de transformar tudo o que você aprendeu em som.
Bem-vindo à fase prática da sua jornada.
Até aqui, caminhamos lado a lado na descoberta de um novo universo.
Você conheceu o controlador MIDI.
Aprendeu como ele se comunica com o computador.
Descobriu o papel da DAW.
Compreendeu por que um instrumento virtual consegue transformar mensagens digitais em música.
Aprendeu a configurar seu equipamento, organizar seu ambiente de trabalho e preparar todas as ferramentas necessárias para produzir.
Tudo isso foi essencial.
Agora, porém, nossa jornada muda de direção.
Até este momento, nossa principal preocupação era compreender.
A partir de agora, nosso objetivo será produzir.
Talvez você imagine que produzir música seja uma atividade reservada apenas aos grandes estúdios ou a profissionais com muitos anos de experiência.
Não é.
Toda produção musical, por mais sofisticada que pareça, começou exatamente da mesma forma: com uma pessoa diante de um instrumento e uma ideia que merecia ganhar vida.
É exatamente isso que faremos neste capítulo.
Não queremos criar uma obra-prima.
Queremos criar a sua primeira produção.
Talvez ela seja simples.
Talvez tenha poucas notas.
Talvez dure apenas alguns minutos.
E isso é mais do que suficiente.
O objetivo não é impressionar ninguém.
O objetivo é aprender.
Na produção musical existe uma diferença muito importante entre tocar e produzir.
Quem toca preocupa-se principalmente com a execução.
Quem produz precisa olhar além das notas.
Antes de gravar, o produtor imagina.
Antes de escolher um instrumento, ele pensa no resultado que deseja alcançar.
Antes de pressionar o botão de gravação, ele organiza suas ideias.
Produzir música é tomar decisões.
Cada escolha modifica o resultado final.
Escolher um andamento mais lento pode tornar uma música mais tranquila.
Trocar um piano por um sintetizador pode mudar completamente sua personalidade.
Adicionar ou retirar um instrumento pode transformar a emoção transmitida ao ouvinte.
Perceba que produzir não significa apenas utilizar uma tecnologia.
Produzir significa construir uma experiência sonora.
É exatamente essa maneira de pensar que começaremos a desenvolver.
Ao longo deste livro, você perceberá que produzir música não acontece em um único momento.
É um processo.
Primeiro observamos.
Depois planejamos.
Em seguida produzimos.
Ouvimos atentamente o resultado.
Avaliamos o que funcionou.
Descobrimos o que pode melhorar.
E iniciamos uma nova produção utilizando tudo aquilo que aprendemos.
Esse será o método que acompanhará toda a sua jornada.
Observar
Tudo começa com uma ideia.
Pode ser um ritmo.
Uma melodia.
Uma emoção.
Uma lembrança.
Uma história.
Antes de existir uma música, existe sempre algo que deseja ser comunicado.
Planejar
Depois de identificar essa ideia, chega o momento de organizá-la.
Qual será o estilo?
Qual será o andamento?
Quais instrumentos participarão da produção?
Quanto tempo aproximadamente deverá durar essa música?
Planejar não limita a criatividade.
Planejar permite que ela encontre um caminho.
Produzir
Agora chega o momento de transformar as ideias em som.
É aqui que utilizamos o controlador MIDI, a DAW e os instrumentos virtuais.
Não existe obrigação de acertar tudo na primeira tentativa.
Experimentar faz parte da produção.
Gravar novamente também.
Ouvir
Quando terminamos uma gravação, acontece algo muito interessante.
Deixamos de ser apenas quem criou.
Passamos a ser também quem escuta.
É nesse momento que percebemos detalhes que antes haviam passado despercebidos.
Avaliar
A música transmite aquilo que imaginávamos?
O ritmo ficou firme?
Os instrumentos combinaram entre si?
Existe algum trecho que poderia ser melhor?
Responder essas perguntas faz parte do trabalho de qualquer produtor musical.
Melhorar
Nenhuma produção termina exatamente quando a gravação acaba.
Sempre existe algo que pode ser aperfeiçoado.
Às vezes será um pequeno detalhe.
Outras vezes surgirá uma ideia completamente nova.
E isso é excelente.
A evolução nasce justamente dessas descobertas.
Nova Produção
Cada música prepara a próxima.
Ao concluir um projeto, você não retorna ao ponto de partida.
Você inicia um novo desafio levando consigo toda a experiência adquirida.
É assim que produtores musicais evoluem.
É assim que você também evoluirá.
Ao longo deste livro, esse ciclo aparecerá repetidas vezes.
Com o tempo, ele deixará de ser apenas uma sequência de etapas.
Ele se transformará em uma forma natural de pensar.
Uma produção musical não nasce por acaso.
Ela nasce da união entre criatividade, organização, prática e reflexão.
Essa será nossa metodologia.
E ela acompanhará você em todas as músicas que produzir daqui para frente.
Ao concluir este capítulo, você será capaz de transformar uma ideia em um pequeno projeto musical.
Aprenderá a organizar suas primeiras decisões antes mesmo de iniciar a gravação.
Descobrirá por que um produtor musical planeja seu trabalho antes de pressionar o botão de gravação.
Realizará sua primeira gravação utilizando o controlador MIDI.
Aprenderá a ouvir criticamente sua própria produção.
E, principalmente, compreenderá que produzir música não significa buscar a perfeição, mas evoluir continuamente por meio da prática.
Ao final deste capítulo, talvez sua música ainda não seja exatamente como você imaginou.
Isso é natural.
O importante será perceber que ela existe.
Ela nasceu das suas ideias.
Foi construída pelas suas escolhas.
E representa o primeiro passo de uma jornada que poderá acompanhar você durante toda a vida.
Existe uma pergunta que todo produtor musical responde antes de iniciar qualquer gravação.
"O que eu quero comunicar com esta música?"
Curiosamente, essa pergunta quase nunca aparece quando estamos começando.
Nossa atenção costuma ficar voltada para os equipamentos.
Pensamos no controlador.
Na DAW.
Nos instrumentos virtuais.
Nos cabos.
Nos botões.
Tudo isso é importante.
Mas nenhum equipamento é capaz de substituir uma ideia.
Os recursos tecnológicos ajudam a transformar pensamentos em sons.
Eles não criam esses pensamentos por nós.
Antes de apertar o botão REC, permita-se fazer uma pequena pausa.
Não para estudar.
Não para configurar o computador.
Mas para imaginar.
Feche os olhos por alguns instantes.
Pense na música que você gostaria de ouvir.
Ela é calma ou agitada?
Alegre ou introspectiva?
Possui poucos instrumentos ou uma sonoridade mais rica?
Talvez você ainda não saiba responder a todas essas perguntas.
Não há problema.
Toda produção começa exatamente assim.
Com algumas certezas.
Muitas dúvidas.
E uma enorme vontade de experimentar.
É justamente essa curiosidade que conduz os melhores aprendizados.
Antes de gravarmos qualquer nota, faremos apenas uma coisa.
Vamos descobrir qual história nossa música deseja contar.
Toda música nasce antes do primeiro som.
Ela nasce quando alguém imagina uma melodia.
Quando um ritmo começa a se repetir em nossa mente.
Quando uma emoção deseja ser compartilhada.
Ou, simplesmente, quando sentimos vontade de criar.
É comum imaginar que produzir música significa sentar diante do computador e começar a gravar imediatamente.
Na prática, os produtores costumam fazer exatamente o contrário.
Eles começam pensando.
Antes de abrir uma sessão de gravação, procuram responder a algumas perguntas simples.
O que desejo comunicar?
Como quero que o ouvinte se sinta?
Que tipo de sonoridade combina melhor com essa ideia?
Essas perguntas não possuem respostas certas ou erradas.
Elas apenas ajudam a organizar aquilo que já existe dentro da nossa imaginação.
Imagine, por exemplo, que você queira produzir uma música para um momento de descanso.
Provavelmente escolherá um andamento mais tranquilo.
Talvez utilize um piano, cordas suaves ou um pad com timbres mais leves.
Agora imagine que sua intenção seja criar uma música para acompanhar uma atividade esportiva.
Certamente suas escolhas serão diferentes.
O andamento será mais acelerado.
A bateria terá maior presença.
Os timbres poderão transmitir energia e movimento.
Perceba que, antes mesmo de gravar qualquer nota, você já começou a produzir.
Produzir música significa tomar decisões.
Cada decisão aproxima sua ideia do resultado que você imaginou.
Não tenha receio se ainda não souber exatamente o que deseja criar.
A primeira produção não precisa ser perfeita.
Ela precisa apenas existir.
Permita-se experimentar.
Se, durante o processo, surgir uma ideia melhor, mude o caminho.
Na produção musical, alterar um projeto não significa voltar atrás.
Significa amadurecer a criação.
É exatamente assim que trabalham os produtores profissionais.
Eles testam.
Comparam.
Mudam de direção.
Descobrem possibilidades.
E, pouco a pouco, encontram a melhor forma de transformar uma ideia em música.
Você fará o mesmo.
Antes de continuar, pegue uma folha de papel ou abra um bloco de anotações.
Escreva poucas palavras respondendo às perguntas abaixo.
Qual será o nome provisório da sua música?
Que sentimento você deseja transmitir?
Quem você imagina ouvindo essa produção?
Ela será calma, alegre, intensa, romântica, reflexiva ou divertida?
Existe alguma lembrança, lugar ou experiência que inspirou essa ideia?
Não pense durante muito tempo.
Escreva aquilo que vier naturalmente.
Mais tarde, se desejar, você poderá modificar tudo.
O importante é começar.
Você acabou de dar o primeiro passo como produtor musical.
Existe um velho ditado que afirma que "quem começa bem já percorreu metade do caminho".
Na produção musical isso também é verdadeiro.
Quando iniciamos uma gravação sem planejamento, gastamos muito tempo corrigindo decisões que poderiam ter sido tomadas antes.
Por outro lado, quando dedicamos alguns minutos para organizar nossas ideias, todo o restante do trabalho se torna mais simples.
É exatamente por isso que os produtores costumam registrar seus projetos antes de iniciar uma gravação.
Esse planejamento não precisa ser complexo.
Algumas poucas informações já são suficientes para orientar todo o trabalho.
Você pretende produzir uma música instrumental ou com voz?
Qual será aproximadamente sua duração?
Quais instrumentos imagina utilizar?
Qual será o andamento?
Existe alguma referência que o inspira?
Essas perguntas ajudam a transformar uma ideia abstrata em um projeto concreto.
Ao responder cada uma delas, você começa a enxergar sua música antes mesmo de ouvi-la.
É como observar o desenho de uma casa antes do início da construção.
O planejamento não elimina a criatividade.
Pelo contrário.
Ele cria um espaço seguro para que novas ideias apareçam durante o processo.
Se alguma decisão mudar no decorrer da produção, isso será perfeitamente natural.
O planejamento serve para orientar.
Nunca para limitar.
Ao longo deste livro, convidaremos você a registrar todas as suas produções.
Para isso, desenvolvemos um material complementar chamado Caderno de Produção Musical, disponível gratuitamente por meio do QR Code apresentado ao final deste capítulo.
Esse material foi pensado para acompanhar toda a sua evolução como produtor.
Cada música ocupará um conjunto de páginas próprias.
Cada projeto ficará registrado.
Cada descoberta permanecerá documentada.
Talvez hoje você produza apenas uma sequência simples de notas.
Daqui a alguns meses, poderá produzir arranjos muito mais elaborados.
Ao comparar seus primeiros registros com os mais recentes, perceberá claramente sua evolução.
Esse é um dos maiores benefícios de registrar cada projeto.
O Caderno de Produção Musical foi organizado em cinco momentos.
O primeiro deles acontece antes da gravação.
Nele, você registrará informações como:
• nome provisório da música;
• objetivo da produção;
• emoção que deseja transmitir;
• estilo musical;
• duração aproximada;
• andamento (BPM);
• tonalidade, quando houver;
• instrumentos previstos;
• estrutura inicial da música;
• observações importantes.
Não se preocupe em preencher todos esses campos imediatamente.
Alguns deles ainda serão apresentados nos próximos tópicos deste capítulo.
Nosso objetivo, neste momento, é apenas mostrar como um produtor organiza seu trabalho antes mesmo de produzir o primeiro som.
Você perceberá que responder a essas perguntas torna muito mais fácil tomar decisões durante a gravação.
Mais do que um conjunto de fichas, esse caderno será o registro da sua caminhada como produtor musical.
Cada nova música acrescentará mais uma página à sua história.
Uma das perguntas mais frequentes entre quem começa a produzir é:
"Qual é a duração ideal para uma música?"
A resposta pode parecer surpreendente.
Não existe uma regra.
Uma música deve durar exatamente o tempo necessário para comunicar aquilo que deseja transmitir.
Entretanto, quando observamos as produções que fazem parte do nosso dia a dia, percebemos um padrão interessante.
Grande parte das músicas executadas em rádios, plataformas de streaming e redes sociais possui duração próxima de três minutos.
Isso acontece porque esse tempo costuma ser suficiente para apresentar uma ideia, desenvolvê-la e concluí-la sem perder o interesse do ouvinte.
Naturalmente existem exceções.
Há músicas com pouco mais de um minuto.
Outras ultrapassam dez minutos.
Todas podem ser excelentes.
Neste livro, porém, faremos uma sugestão diferente.
Como esta será sua primeira produção, procure planejar uma música com aproximadamente três minutos de duração.
Essa escolha possui algumas vantagens importantes.
Ela torna o projeto mais fácil de concluir.
Permite manter o foco durante toda a produção.
Reduz a quantidade de decisões que precisarão ser tomadas.
E, principalmente, aumenta as chances de você finalizar sua primeira música.
Lembre-se de que concluir um projeto ensina muito mais do que iniciar vários e abandonar todos pela metade.
Se, ao final, sua música tiver dois minutos e quarenta segundos ou três minutos e vinte segundos, não haverá qualquer problema.
Esses números servem apenas como referência.
O objetivo não é obedecer a um cronômetro.
O objetivo é desenvolver uma produção equilibrada.
Ao longo de sua caminhada como produtor, você descobrirá que algumas ideias pedem poucos segundos.
Outras precisam de muito mais tempo.
Com a experiência, será sua própria música quem indicará quando chegou o momento de terminar.
Agora que sua ideia começa a ganhar forma, chegou o momento de tomar uma das decisões mais importantes da produção.
Qual será a velocidade da música?
Talvez você nunca tenha pensado nisso.
No entanto, basta ouvir duas músicas diferentes para perceber que algumas parecem caminhar lentamente, enquanto outras transmitem uma sensação constante de movimento.
Essa velocidade recebe o nome de andamento.
Na produção musical, normalmente utilizamos a sigla BPM, que significa Batidas por Minuto (Beats Per Minute).
O BPM determina quantas pulsações acontecerão em um minuto.
Quanto menor esse número, mais tranquila tende a ser a sensação transmitida pela música.
Quanto maior, maior será a impressão de energia e movimento.
Imagine uma caminhada tranquila em um parque.
Agora imagine uma corrida de cem metros.
Ambas representam movimentos.
Mas acontecem em velocidades completamente diferentes.
Com a música ocorre exatamente o mesmo.
Um andamento lento pode transmitir serenidade, introspecção ou emoção.
Um andamento médio costuma produzir equilíbrio e conforto.
Já um andamento mais acelerado comunica entusiasmo, força e dinamismo.
Não existe um BPM correto.
Existe apenas aquele que melhor representa sua ideia.
Por isso, antes de escolher qualquer número, volte à pergunta que fizemos no início deste capítulo.
Como desejo que meu ouvinte se sinta?
A resposta ajudará a definir o andamento com muito mais segurança.
Nos primeiros projetos, experimente valores diferentes.
Grave alguns compassos.
Ouça.
Altere o BPM.
Ouça novamente.
Você perceberá como uma pequena mudança na velocidade pode transformar completamente a personalidade da música.
Mais uma vez, não tenha receio de experimentar.
O produtor aprende justamente comparando possibilidades.
O que significa BPM?
A sigla BPM vem da expressão inglesa Beats Per Minute, que significa Batidas por Minuto.
Ela indica quantas pulsações ocorrem em sessenta segundos.
Embora pareça um detalhe técnico, o BPM influencia profundamente a forma como percebemos uma música.
Uma mesma melodia poderá transmitir sensações completamente diferentes quando executada em velocidades diferentes.
Por esse motivo, definir o andamento faz parte das primeiras decisões tomadas durante uma produção musical.
Outra decisão importante diz respeito à tonalidade.
Quando ouvimos alguém dizer que uma música está em Dó Maior, Sol Maior ou Lá Menor, estamos falando justamente da tonalidade utilizada naquela composição.
Neste momento, você não precisa compreender toda a teoria musical envolvida nesse assunto.
Isso será estudado gradualmente ao longo do livro.
Por enquanto, basta entender uma ideia muito simples.
A tonalidade funciona como um ponto de referência para toda a música.
Ela ajuda a organizar as notas que serão utilizadas e cria uma sensação de unidade entre melodia, acordes e acompanhamento.
É como escolher o idioma antes de escrever um texto.
Depois de feita essa escolha, todas as palavras passam a seguir uma mesma lógica.
Na produção musical acontece algo semelhante.
Ao definir uma tonalidade, você estabelece um caminho que facilitará todas as decisões seguintes.
Se ainda não possui conhecimentos de teoria musical, não se preocupe.
Muitos produtores iniciam seus primeiros projetos utilizando tonalidades bastante comuns, como Dó Maior ou Lá Menor.
O importante não é decorar nomes.
O importante é compreender que existe uma organização por trás dos sons que ouvimos.
Com o passar do tempo, essa organização deixará de parecer complicada.
Ela se tornará cada vez mais natural.
Preciso conhecer teoria musical para produzir?
Não.
Você pode iniciar suas produções utilizando recursos visuais da DAW, instrumentos virtuais e sua própria percepção auditiva.
A teoria musical não substitui a criatividade.
Ela apenas oferece ferramentas para compreender e organizar aquilo que você já está criando.
Neste livro, aprenderemos teoria sempre que ela ajudar a resolver um problema prático.
Nosso objetivo nunca será decorar conceitos.
Será compreender para produzir melhor.
Imagine assistir a um filme que termina antes de começar.
Ou ler um livro cujos capítulos aparecem completamente fora de ordem.
Provavelmente a experiência seria bastante confusa.
Com a música acontece algo semelhante.
Ela também possui uma organização.
Nem sempre percebemos isso conscientemente.
Mas nosso cérebro identifica quando uma música começa, se desenvolve e chega ao final.
Chamamos essa organização de estrutura musical.
Não existe apenas uma estrutura possível.
Cada estilo musical possui características próprias.
Mesmo assim, muitas produções utilizam uma sequência semelhante à seguinte:
Introdução.
Verso.
Refrão.
Novo verso.
Refrão.
Final.
Algumas músicas acrescentam uma ponte.
Outras iniciam diretamente pelo refrão.
Algumas são totalmente instrumentais.
Outras alternam diferentes seções ao longo de toda a execução.
Todas essas possibilidades são válidas.
Neste primeiro projeto, porém, procure utilizar uma estrutura simples.
Ela facilitará seu trabalho e permitirá que você concentre sua atenção na criação.
Neste momento, não estamos preocupados em compor uma música complexa.
Estamos aprendendo a organizar uma ideia.
Pegue uma folha de papel.
Faça um pequeno desenho representando a sequência que imagina para sua música.
Não escreva notas.
Não pense em acordes.
Desenhe apenas o caminho que sua produção deverá seguir.
Você perceberá que, quando a estrutura está clara, produzir torna-se muito mais simples.
Antes mesmo de gravar a primeira nota, sua música já começou a existir dentro da sua imaginação.
E toda grande produção musical nasce exatamente assim.
Imagine um pintor diante de uma tela.
Antes mesmo de iniciar a pintura, ele escolhe cuidadosamente suas cores.
Sabe que cada uma delas despertará sensações diferentes em quem observar a obra.
Na produção musical acontece exatamente a mesma coisa.
Os instrumentos são as cores da música.
Cada timbre possui personalidade própria.
Cada um transmite emoções diferentes.
Não existe instrumento melhor ou pior.
Existe apenas o instrumento mais adequado para aquilo que desejamos comunicar.
O piano costuma transmitir clareza, equilíbrio e sensibilidade.
O violão aproxima a música de uma atmosfera mais intimista e acolhedora.
As cordas ampliam a sensação de emoção e profundidade.
Os sintetizadores podem criar ambientes modernos, futuristas ou cheios de movimento.
O baixo oferece sustentação e firmeza.
A bateria organiza o ritmo e conduz a energia da música.
Os pads criam texturas suaves, preenchendo os espaços e tornando a sonoridade mais envolvente.
Talvez você sinta vontade de utilizar todos os instrumentos disponíveis.
Essa é uma reação bastante comum.
No entanto, um bom produtor sabe que, muitas vezes, menos significa mais.
Uma música não se torna melhor porque possui muitas pistas.
Ela se torna melhor quando cada instrumento possui uma função clara.
Antes de adicionar um novo timbre ao projeto, faça uma pergunta simples:
"Este instrumento realmente acrescenta algo à música?"
Se a resposta for sim, mantenha-o.
Se a resposta for não, talvez seja melhor deixá-lo para outra produção.
Aprender a escolher também significa aprender a renunciar.
Essa é uma das habilidades mais importantes de um produtor musical.
O que é timbre?
Quando duas pessoas cantam exatamente a mesma nota, conseguimos identificar quem está cantando.
Da mesma forma, reconhecemos facilmente o som de um piano, de um violão ou de um saxofone, mesmo que todos executem a mesma melodia.
Essa característica recebe o nome de timbre.
O timbre é a identidade sonora de cada instrumento ou voz.
É ele que torna cada som único.
Aprender a escolher timbres é como aprender a escolher as cores de uma pintura.
Quanto mais experiência você adquirir, mais natural essa escolha se tornará.
Agora que sua ideia está mais clara, chegou o momento de preparar o ambiente de trabalho.
Pode parecer um detalhe sem importância.
Entretanto, grande parte do tempo perdido durante uma produção acontece por falta de organização.
Imagine procurar um arquivo importante e descobrir que ele foi salvo com um nome qualquer.
Ou tentar localizar uma pista de piano em um projeto onde todas as faixas receberam nomes como "Pista 1", "Pista 2" e "Pista 3".
Situações assim podem parecer pequenas.
Mas tornam o trabalho cansativo e confuso.
Desde sua primeira produção, procure desenvolver bons hábitos.
Crie uma pasta exclusiva para cada música.
Utilize nomes claros para os arquivos.
Identifique corretamente cada pista.
Salve seu projeto com frequência.
Sempre que possível, mantenha uma cópia de segurança.
Esses cuidados levam poucos minutos.
Em compensação, evitam horas de retrabalho e reduzem significativamente o risco de perder informações importantes.
Organização não é burocracia.
É uma ferramenta que permite dedicar mais tempo à criatividade.
Sempre que concluir uma etapa importante da produção, salve o projeto.
Poucos segundos podem evitar a perda de muitas horas de trabalho.
Chegou o momento que você esperava desde o início deste livro.
Sua primeira gravação.
Talvez exista um pouco de ansiedade.
Talvez você imagine que tudo precisa sair perfeito.
Permita-me tranquilizá-lo.
Não precisa.
Na verdade, nem deve.
Esta gravação não será um exame.
Ela será uma experiência.
Prepare a pista que receberá a gravação.
Escolha o instrumento virtual.
Verifique se o controlador MIDI está funcionando corretamente.
Ative o metrônomo, caso deseje utilizá-lo.
Respire profundamente.
Posicione as mãos sobre o teclado.
Quando estiver pronto, pressione o botão REC.
Toque.
Não interrompa a gravação por causa de um pequeno erro.
Continue até o final.
Depois pressione STOP.
Agora faça algo muito importante.
Escute.
Apenas escute.
Não julgue.
Não compare.
Não pense na perfeição.
Procure apenas perceber aquilo que acabou de criar.
Talvez algumas notas precisem ser corrigidas.
Talvez o ritmo possa melhorar.
Talvez você descubra uma ideia completamente nova.
Tudo isso faz parte do processo.
A produção musical não termina quando paramos de gravar.
Na verdade, ela começa a amadurecer exatamente nesse instante.
O que é quantização?
Mesmo músicos experientes executam pequenas variações de tempo durante uma gravação.
A quantização é um recurso presente na maioria das DAWs que permite alinhar automaticamente as notas gravadas ao tempo definido pelo projeto.
Ela pode corrigir pequenas imprecisões rítmicas sem alterar a ideia musical.
Como toda ferramenta, deve ser utilizada com equilíbrio.
Em muitos casos, pequenas imperfeições tornam uma interpretação mais natural e expressiva.
O objetivo da quantização não é substituir o músico.
É ajudá-lo quando isso realmente for necessário.
Existe uma diferença importante entre ouvir música por prazer e ouvir música como produtor.
Quando ouvimos apenas como ouvintes, deixamo-nos envolver pela emoção.
Quando ouvimos como produtores, passamos a observar detalhes.
A bateria está equilibrada?
O piano está muito alto?
Existe espaço suficiente entre os instrumentos?
A música transmite aquilo que imaginei?
O início desperta interesse?
O final produz uma sensação de conclusão?
Essas perguntas não servem para apontar defeitos.
Servem para desenvolver sua percepção.
Quanto mais você praticar essa escuta, mais facilmente identificará oportunidades de melhoria.
Esse olhar crítico não deve ser motivo de desânimo.
Pelo contrário.
Ele demonstra que sua capacidade de percepção está evoluindo.
Todo produtor aprende ouvindo.
E ouvir é uma habilidade que se desenvolve da mesma forma que tocar.
Quanto mais praticamos, melhor nos tornamos.
Antes de encerrar este projeto, reserve alguns minutos para escutá-lo novamente.
Agora pergunte a si mesmo:
O que mais gostei nesta produção?
O que faria diferente se começasse novamente?
Talvez essas duas perguntas sejam as mais importantes de todo o capítulo.
É nelas que começa sua evolução como produtor musical.
Ao concluir sua primeira produção, talvez você tenha percebido algo interessante.
Criar uma música envolve muito mais do que tocar algumas notas.
Durante este capítulo, você tomou diversas decisões.
Escolheu uma ideia.
Pensou na emoção que desejava transmitir.
Definiu um andamento.
Planejou uma estrutura.
Selecionou instrumentos.
Gravou.
Ouviu.
Refletiu sobre o resultado.
Agora imagine produzir dez músicas.
Ou vinte.
Daqui a alguns meses, você ainda lembrará por que escolheu determinado instrumento?
Recordará qual foi o BPM utilizado?
Conseguirá explicar por que alterou um trecho da melodia ou decidiu retirar um instrumento do arranjo?
Provavelmente não.
É exatamente por isso que produtores musicais registram seus projetos.
Assim como arquitetos elaboram plantas antes de construir um edifício, pesquisadores mantêm cadernos de laboratório para registrar suas descobertas e escritores anotam ideias antes de transformá-las em livros, o produtor musical também precisa documentar sua caminhada.
Foi pensando nisso que desenvolvemos o Caderno de Produção Musical.
Ele não é apenas um conjunto de formulários.
É um companheiro de aprendizagem.
Cada nova música ocupará um conjunto de páginas próprias.
Cada projeto contará uma parte da sua história.
Cada produção mostrará sua evolução.
Com o passar do tempo, você perceberá que não estará apenas acumulando músicas.
Estará construindo experiência.
Estará formando sua identidade como produtor musical.
O Caderno de Produção Musical foi organizado em cinco etapas.
Cada uma delas corresponde a um momento diferente da produção.
Antes de iniciar qualquer gravação, você será convidado a responder perguntas como:
Qual será o nome da música?
O que desejo comunicar?
Qual emoção pretendo despertar?
Quem imagino ouvindo esta produção?
Qual será o estilo musical?
Quanto tempo aproximadamente ela deverá durar?
Qual será o andamento?
Quais instrumentos pretendo utilizar?
Como imagino sua estrutura?
Responder a essas perguntas ajudará você a organizar suas ideias antes de iniciar a gravação.
Durante o processo criativo, novas descobertas sempre acontecem.
Por isso, o caderno reservará espaço para registrar:
Quais decisões precisaram ser modificadas?
Que dificuldades surgiram?
Que soluções foram encontradas?
Que novas ideias apareceram durante a gravação?
Essas anotações se tornarão uma fonte preciosa de aprendizagem.
Depois de concluir a música, chega o momento de refletir.
Sua produção corresponde à ideia inicial?
A emoção foi transmitida?
Os instrumentos ficaram equilibrados?
O que mais agradou?
O que ainda pode melhorar?
Responder a essas perguntas fará você desenvolver uma das competências mais importantes de qualquer produtor musical: a capacidade de avaliar criticamente o próprio trabalho.
Cada projeto também contará com um pequeno espaço para sua autoavaliação.
Não se trata de dar uma nota à música.
Trata-se de acompanhar seu crescimento.
Você observará aspectos como:
Planejamento.
Organização.
Criatividade.
Escolha dos timbres.
Qualidade da gravação.
Satisfação com o resultado obtido.
Ao comparar diferentes produções, perceberá claramente sua evolução.
Toda música deixa um aprendizado.
Por isso, o caderno termina sempre olhando para a frente.
O que desejo experimentar na próxima produção?
Que habilidade pretendo desenvolver?
O que farei de maneira diferente?
Essas perguntas transformarão cada música em um ponto de partida para a seguinte.
Pouco a pouco, você perceberá que aprender produção musical significa evoluir continuamente.
Talvez você esteja imaginando que esse material seja apenas um conjunto de fichas para preencher.
Na verdade, ele foi criado com um propósito muito maior.
O Caderno de Produção Musical ajudará você a desenvolver hábitos de organização, reflexão e melhoria contínua.
Cada página registrará uma experiência.
Cada produção acrescentará um novo aprendizado.
Daqui a algum tempo, ao abrir suas primeiras fichas, você perceberá claramente o quanto evoluiu.
E essa talvez seja a maior recompensa de toda a jornada.
Durante suas produções, certamente surgirão dúvidas.
Qual era mesmo a função daquele comando?
Como configurar determinado recurso?
O que significa aquele termo técnico?
Pensando nisso, este livro também disponibiliza um conjunto de Cartões de Consulta Rápida.
Esses cartões foram organizados por assunto e poderão ser acessados sempre que você precisar revisar rapidamente um conceito, um procedimento ou uma configuração.
Em vez de interromper sua produção para procurar uma informação em capítulos anteriores, bastará consultar o cartão correspondente.
Eles funcionarão como pequenos lembretes que acompanharão seu trabalho no estúdio.
Livro, Caderno de Produção Musical e Cartões de Consulta Rápida foram desenvolvidos para trabalhar em conjunto.
O livro apresenta os conceitos.
O caderno registra sua evolução.
Os cartões oferecem apoio imediato durante a prática.
Juntos, eles formam um único método de aprendizagem.
O Caderno de Produção Musical e os Cartões de Consulta Rápida estão disponíveis gratuitamente em formato digital.
Basta utilizar a câmera do seu celular para acessar o QR Code abaixo.
Faça o download do material e utilize uma nova ficha a cada produção.
Com o passar do tempo, você terá construído um verdadeiro portfólio da sua evolução como produtor musical.
[QR CODE – Material Complementar]
Quando iniciamos este livro, nosso objetivo era compreender.
Precisávamos conhecer o controlador MIDI.
Entender como ele se comunica com o computador.
Descobrir o papel da DAW.
Aprender a utilizar instrumentos virtuais.
Organizar nosso ambiente de trabalho.
Tudo isso nos trouxe até aqui.
Hoje, porém, algo mudou.
Pela primeira vez, você utilizou esse conhecimento para criar.
Talvez sua música ainda seja simples.
Talvez existam pequenos erros.
Talvez você já tenha imaginado várias maneiras de melhorá-la.
Isso é excelente.
Significa que você começou a desenvolver o olhar de um produtor musical.
Lembre-se de que nenhuma grande produção nasceu perfeita.
Toda música começou como uma ideia.
Depois tornou-se um experimento.
Transformou-se em aprendizado.
Recebeu ajustes.
Foi regravada.
Foi aprimorada.
Até alcançar sua melhor forma.
Com você acontecerá exatamente o mesmo.
Não tenha medo de experimentar.
Não tenha receio de recomeçar.
Não compare sua primeira produção com o trabalho de músicos experientes.
Compare apenas a música que você produziu hoje com aquela que produzirá daqui a algumas semanas.
Se houver uma pequena evolução, você estará no caminho certo.
Porque produzir música não significa buscar a perfeição.
Significa aprender continuamente.
E esse aprendizado acaba de ganhar uma nova voz.
A sua.
No próximo capítulo, descobriremos como transformar essas primeiras ideias em composições cada vez mais ricas, organizadas e expressivas, compreendendo como ritmo, melodia, harmonia e arranjo trabalham juntos para dar identidade a uma música.
Parabéns.
Você acaba de produzir a sua primeira música.